André Coindre nasceu na cidade de Lyon, França, em 1787, em uma família de comerciantes. Seus primeiros anos de instrução religiosa foram realizados clandestinamente, uma vez que o governo havia proibido o culto católico devido a Revolução Francesa.
Sempre foi muito ligado à fé e assim que teve oportunidade entrou para o seminário e foi ordenado aos 25 anos.
Como sacerdote destacou-se pelos dons de pregador e pela vocação missionária em pequenas cidades sem assistência religiosa. Nas suas tarefas de sacerdote pôde observar a realidade precária das crianças e dos jovens, tanto na cidade como no campo, e sentiu o chamado concreto de Deus para cuidar deles com o mesmo amor do Coração de Jesus.
André Coindre era mais do que uma pessoa boa que tentava fazer o bem, ele era um homem chamado por Deus para a santidade e que respondeu entregando-se inteiramente. Ele não tinha outro desejo, nenhum outro sonho, a não ser realizar o que Jesus lhe pedia.
Ele não estava sozinho. Ao lado dele, em sua cidade, em sua época, muitos outros também sentiram esse impulso do Espírito Santo em seus corações e responderam doando suas vidas pelos outros. Muitos fundaram congregações e instituições que existem até hoje, outros simplesmente viveram suas vidas de maneira extraordinária, principalmente aqueles que deram suas vidas como mártires de Cristo. Um grande número deles é hoje considerado abençoado e santo na Igreja.
André fez parte desse movimento de santidade, dessa “revolução” de fé, esperança e amor que Deus queria dar ao seu povo depois de alguns anos terríveis, marcados por medo, ódio, morte e fome. A cada um desses homens e mulheres, Deus deu um dom e uma tarefa especial: um carisma para compartilhar com o mundo e fazê-lo frutificar.
O dom de André
André recebeu o dom de olhar para as crianças e os jovens através do Coração aberto de Jesus, de vê-los com seu amor e compaixão e de confiar neles, em suas possibilidades nesta vida e em seu destino eterno. E André abraçou esse dom com todo o seu coração humano, até o ponto de dar a vida por ele.
André também recebeu o dom da fraternidade, da amizade viva em Cristo com os outros e do compartilhamento desse impulso. Ele não guardou isso para si mesmo. Onde quer que ele fosse, outros eram tocados e chamados pelo mesmo chamado: homens e mulheres, colegas sacerdotes, jovens e até mesmo sua própria família… todos embarcaram nesse sonho, nessa causa de André; ou melhor, nessa causa de Jesus confiada a André.
Deus lhe concedeu o dom de ser Fundador de comunidades religiosas dedicadas à evangelização de crianças e jovens através da educação: em 1817 as Irmãs de Jesus-Maria juntamente com Santa Claudina Thevenet e em 1821 os Irmãos do Sagrado Coração.
Ir. Xavier, Ir. Policarpo e Ir. Norbert
Assim, nasceram os Irmãos do Coração Sagrado: somos um fruto desse movimento de santidade que tocou o coração de André e que ele compartilhou com outros.
Assim, o Ir. Xavier, nosso primeiro Irmão, fez de tudo para salvar e continuar o trabalho do fundador.
Assim, o Venerável Ir. Policarpo, sem conhecê-lo pessoalmente, foi inspirado por seu testemunho, levou o impulso original à sua plenitude e viveu sua vida como um santo.
Assim, o Venerável Ir. Norbert, cem anos depois, respondeu a Deus dando sua vida como missionário na África.
Da mesma forma, muitos, seguindo o fundador, percorreram os caminhos da mansidão e da humildade. Eles se santificaram fazendo do AMETUR COR JESU (Amado seja o Coração de Jesus), nosso lema e esperança comum, uma realidade; fizeram da caridade a totalidade de suas vidas, a inspiração de sua atividade apostólica e missionária (cf. RdV 12).
Irmãos em sua causa
O Pe. André Coindre morreu em 1826, aos 39 anos, depois de ter realizado uma surpreendente ação pastoral por uma vida tão rapidamente interrompida.
Hoje, nós que colaboramos na missão de André, Irmãos e leigos, continuamos aqui, cada um em seu canto do mundo, em nossa pequena tarefa diária, a perpetuar esse movimento de santidade com o qual Deus tocou André Coindre e com o qual continua a nos mover para que encontremos o caminho de nossa verdadeira felicidade no estilo de Jesus: amar a ponto de dar a vida pelos outros.
A decisão de iniciar a causa canônica do Padre André Coindre está sendo seriamente considerada, ou seja, levar adiante o processo pelo qual a Igreja poderá um dia reconhecer oficialmente a santidade do nosso fundador, no tempo que Deus quiser.
Queremos apenas um fruto, o mesmo fruto que Jesus quer: que, conhecendo melhor o Padre André, sua obra, sua vida e sua morte, possamos, com o coração agradecido, continuar caminhando juntos, como irmãos em sua causa.